quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Um novo contrato social

Li hoje uma matéria interessante.Um colega historiador,desconhecido por mim até hoje e já "favoritado"para usar uma expressão atual.O nome é Bruno Frederico Muller e naturalmente não reproduzirei aqui o que escreve e sugere,num longo debate,inclusive politizado.Vou apenas aproveitar algo que ele levanta como hipótese e trabalha até as conclusões, para tangenciar e pensar algo na mesma linha.
Segundo ele o mundo atual precisaria "refazer o contrato social".
A idéia me capturou pois o que se debate há anos ,por todo o século XX praticamente é a questão do"sistema":capitalismo,marxismo,comunismo,socialismos adjetivados e etc.
De repente, esse estudioso propõe nada menos que uma novo contrato social.algo como "novo normal' da civilização.Não diz nem propõe como seria o novo modelo civilizatório,mas sugere que é esse o caminho:refazer o contrato social.
Do homem exposto a sua animalidade e natureza como diz Rousseau,aos acordos sociais que permitiram vida em sociedade por mais de dois séculos(bem ou mal) estaríamos novamente diante de um impasse e precisando de nova regulação para não voltarmos a algo pré-moderno.
Nem cabe aqui politizar ou discutir o modelo que foi acordado na Revolução Francesa e retocado mil vezes depois.A tentação de me alongar é grande,mas vou ao ponto.
Vida em comunidade e vida em sociedade,são dois modelos historicamente localizados e desde aqui já é reflexão minha inspirada no que gostei de ler.
Comunidades parecem um conceito antigo e medieval,vivido apenas em séculos anteriores ao XVIII e vida em sociedade(que me corrijam os sociólogos) algo posterior.Muito bem:o que penso,sinto e observo me leva a pensar que neste século XXI, em pleno aprendizado sobre quem somos, de forma intensa devido à pandemia,tenhamos que rever tudo e viver em sociedade,com espírito comunitário e ampliando o conceito de clã e família para todo a humanidade.
Sim...todos já pensamos nisso,fala-se dioturnamente nisso,mas...ao vivenciarmos ainda resvalamos em hábitos sedimentados.
Vou exemplificar e deixar mais claro o ponto:hoje em dia,todos fazemos parte de grupos e redes sociais.Muito bem...quantas e quantas situações desagradáveis,agressivas e até rompimentos de relacionamentos familiares,devido a opiniões expressas em fóruns não apropriados.O que fazer?Sair do grupo,sair da rede,todos já fomos tentados,mas o parente está lá,o vizinho está lá,o colega permanecer...não se deleta ou bloqueia alguém senão na rede.
Parece que é urgente conseguimos manter foco e tratar em cada fórum de assuntos comuns a todos,para começar a treinar algo que deverá fazer parte de relações atualizadas e estruturantes e não demolidoras;a delicadeza de não expressar,não criticar,não debater assuntos polêmicos;os antigos"religião e política não se discute" pode muito bem nos ajudar a viver como uma família ou uma comunidade de proximidade geográfica ou de atuação comum,sem necessariamente pensarmos ou sentirmos igual.
Suspeito que a pessoa que hoje considero irmã,mais do que amiga,alguém que conheci de forma peculiar e com quem estive uma única vez presencialmente,possa ter posição política completamente diversa da minha,porém,temos tantas e tantas outras afinidades,que o que distingue,deixamos para lá;não se fala.
Quanta riqueza os relacionamentos,virtuais ou de proximidade física poderiam ter e agregar  ...se evitássemos de tentar impor,discutir,fazer pensar como nós,criticar ou ridicularizar a opinião alheia?
Enfim... esse tema é para reflexão e porque não,debate?.Este sim...talvez seja,o novo contrato social a que aspiramos todos para continuar vivendo mais como espíritos elevados do que como animais comandados por instinto de sobrevivência.(Se for pensamento romântico também faz jus a Rousseau e seus ideais);mas,que penso e aspiro,ah...isso sim!
Um brinde à paz social!


Helena Zarvos-)6 de agosto de 2020