Escrevo do mais fundo da alma.Não é a personalidade se expressando e sim um Eu que cresce e fortalece vínculos com a sua própria parcela de humanidade no "Todo" que em meio à dor,se mostra a cada uma de nós.
Em poucos minutos o mundo estará celebrando o trabalho e desta vez,com certeza,muitas sensibilidades afloradas e mentes clareadas pelo impacto da doença assutadora exaltarão os profissionais que não podem ficar em casa.Todos eles...desde o porteiro do hospital,aos lixeiros e coveiros.
Também eu,mãe,sogra,irmã,prima e tia de profissionais da saúde,levanto-me e curvo-me diante deles,respeitosa e grata,assim como faço diante de todos os outros do Brasil e do mundo.Idosa,mais do que todos eles,cedo de bom grado o direito hierárquico de ser reverenciada (mais novos quase todos do que eu).É momento de honrar o que cada um deles representa,sua dedicação e consciência de dever,juramento,ideal e humanidade.Esses príncípios,por tanto tempo esquecidos,desprezados e tratados como valores ultrapassados,agora se impõem por força da circustância planetária e alguns poucos heróis(nossos vocacionados da saúde em primeiro)vem justamente nos comover com a lembrança de que sua vida é uma chamado ao serviço do divino que há em nós: a centelha de vida e o amor.É trabalho ainda mais sagrado...é vocação!É sacerdócio!
Deixam em casa as famílias apreensivas,trabalham muitas vezes sem as condições necessárias para que haja um mínimo de segurança em seu retorno ao lar e ainda assim lá estão,dia após dia vivendo seu juramento.
No âmbito da confluência do que é dever familiar de mães e pais que são,a escolha difícil da prioridade a ser atendida,a dolorosa escolha de Sofia que muitos precisam e acabam fazendo com sofrimento e perda seja por uma seja por outra opção nessa encruzilhada;é mais um fator de sofrimento e quiça de culpa.
Rezo,vibro,mentalizo e me entrego toda de coração a essa corrente de amor por todos os trabalhadores da saúde,da higiene como os lixeiros o são,daqueles que atendem a todos os serviços essenciais neste atípico dia do trabalho,mas...permito-me de expressar o que vai no coração,em especial pelos da saúde na linha de frente do duro combate.
Peço a Deus que sensibilize autoridades capazes de decidir,quando o que falta muitas vezes é apenas o gesto humilde de "pedir ajuda" a países que já tendo superado a pandemia agora poderiam disponibilizar recursos;que possam sentir o toque de humana coragem e alçar dimensões acima de sua pequenez política e ou ideológica.Acima e além de todo egoísmo.
Enquanto há tempo de escolher,escolhamos que a palavra "crescimento"que por décadas e décadas depois da segunda guerra foi associado a "econômico",seja agora associada a "espiritual".Por Deus! cresçamos ao menos na dor,no sentido da Luz e da Harmonia Cósmica.
Que cada um faça sua parte!De nossa posição de idosos da família,o que podemos é alertar,lembrar,rezar e abençoar.
Bençaos,muitas bençãos, sobre nossos filhos,noras,genros,tios,irmãos,pais,mães,sobrinhos,,maridos,esposas,amigos e conhecidos,
que com armas insuficientes lutam com devoção de santos e coragem de heróis.
quinta-feira, 30 de abril de 2020
sábado, 11 de abril de 2020
Molon Lavé
“Molón Lavé” !Quando nosso pai dizia essas palavras,visivelmente emocionado,todos nós,os quatro filhos,sentíamos a mesma vibração e sabíamos que era o ápice da história.Era o momento da interiorização do conceito de coragem e honra.
Dizia em grego e depois traduzia:”venham buscar” referindo-se ao momento crucial em que Xerxes cobra a rendição dos espartanos devido a sua inferioridade bélica e a entrega das armas."Molon Lavé"(Venham buscá-las)Então, Xerxes replicou ameaçador que as flechas de seu colossal exército de mercenários iriam escurecer o céu.Nosso pai repetia então,com aquela mesma entonação de orgulho que o rei Leônidas de Esparta usara então:”Melhor,pois assim lutaremos na sombra”!
Lembro desse relato de nossa infância neste momento de quarentena assumida,certa de que muitos podem ainda não terem se convencido de como o mundo pode ter que funcionar diferente em tempos de guerra.Como naquela lendária batalha no estreito das Termópilas,somos todos chamados a ter coragem e um senso de honra e glória que pareciam perdidos na Antiguidade.
Xenofonte,historiador antigo, conta como em outras partes da Hélade e do mundo,um covarde era simplesmente chamado pela palavra que em si já era uma sentença,mas em Esparta a execração era muito maior:”nenhum espartano sentar-se-ia à mesa com um para não passar vergonha,coraria se o encontrasse no ginásio para seus exercícios,nas ruas,esperaria que ele lhe desse o passo e se sentado deveria se levantar até diante de homens mais moços”( República dos Lacedemônios,cap.IX).Um soldado espartano preferia a morte à desonra.
Todo esse esforço,no caso específico das Termópilas por uma razão: Atenas precisava evacuar toda sua população para Salamina,pois sua capacidade defensiva era muito menor.Estratégia e tática de combate e escolha de terreno adequado para o embate final necessitavam de tempo.Esse tempo precioso foi garantido por Leônidas e seus valorosos combatentes .Os esforços no desfiladeiro das Termópilas mesmo custando a vida de todos os soldados,foi o tempo necessário para se organizar a defesa e a derrota dos persas,que mesmo com todo esse esforço defensivo,ao final de um tempo,invadiram,destruíram e saquearam a Atenas completamente vazia.A população havia sido evacuada.Avançaram então para Salamina,mas ali no estreito que separa a ilha da Ática,a batalha naval deu a definitiva vitória aos espartanos naquele séc.V AC.Os persas foram vencidos.Houve ainda tentativas por parte destes,de novas invasões,mas a união de todas os clãs e de todas as regiões da antiga Grécia,depois de Salamina,venceu definitivamente os persas.
Essa lição de estratégia e coragem deve nos inspirar.Se estamos confinados,cada um em suas casas,nesta quarentena contra o inimigo que avança impiedoso ,devemos nos lembrar,que ficar me casa,não significa apenas“salvar-me” ou”proteger o outro”.Alguns equívocos levam pessoas a fantasiar e esquecer que todo esse esforço é necessário para que a estrutura básica de atendimento esteja em condições de atender aos que necessitarem no auge da doença no Brasil.É o tempo precioso de “evacuar Atenas”.
Monumentos,obras de arte,casas,bens...tudo foi destruído,mas..as pessoas se salvaram...todos os atenienses se salvaram em Salamina.
Que possamos entender esses profissionais da saúde e os gestores da crise que nos pedem para ficar em casa e que estão obrigados ao enfrentamento direto, como os valentes espartanos do rei Leônidas e entender nossa posição como os protegidos e evacuados para a ilha segura.
Não há outro modo,pois queremos vida,saúde e mais...que o maior contingente da linha de frente volte são e salvo com seus escudos para nosso aplauso e eterna gratidão e não em cima deles!
Um brinde a todos os humanos convencidos de que SOMOS UM!
sexta-feira, 10 de abril de 2020
Espantalhos
Há bocas caladas nos becos
Das grandes cidades...
Marcadas, vincadas,
De certa forma doentes
De doença de outrem,
De insanidade
Há olhos de espanto
Olhando escândalos e vendo
Sem nada ver
Sem perceber
Que em cada abuso do outro
O seu há de perder
Há peles e ossos cozidos
Com pouca linha e muito nó
(retalhos de gente)
um pouco como... espantalhos?
De corvos estranhos
Maldita espécie indecente
Demente
Quem sabe não haveria
Uma grita sufocada
Uma visão semi obscura
Uma força inda oculta
Que se levanta ...e luta?
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