sábado, 11 de abril de 2020
Molon Lavé
“Molón Lavé” !Quando nosso pai dizia essas palavras,visivelmente emocionado,todos nós,os quatro filhos,sentíamos a mesma vibração e sabíamos que era o ápice da história.Era o momento da interiorização do conceito de coragem e honra.
Dizia em grego e depois traduzia:”venham buscar” referindo-se ao momento crucial em que Xerxes cobra a rendição dos espartanos devido a sua inferioridade bélica e a entrega das armas."Molon Lavé"(Venham buscá-las)Então, Xerxes replicou ameaçador que as flechas de seu colossal exército de mercenários iriam escurecer o céu.Nosso pai repetia então,com aquela mesma entonação de orgulho que o rei Leônidas de Esparta usara então:”Melhor,pois assim lutaremos na sombra”!
Lembro desse relato de nossa infância neste momento de quarentena assumida,certa de que muitos podem ainda não terem se convencido de como o mundo pode ter que funcionar diferente em tempos de guerra.Como naquela lendária batalha no estreito das Termópilas,somos todos chamados a ter coragem e um senso de honra e glória que pareciam perdidos na Antiguidade.
Xenofonte,historiador antigo, conta como em outras partes da Hélade e do mundo,um covarde era simplesmente chamado pela palavra que em si já era uma sentença,mas em Esparta a execração era muito maior:”nenhum espartano sentar-se-ia à mesa com um para não passar vergonha,coraria se o encontrasse no ginásio para seus exercícios,nas ruas,esperaria que ele lhe desse o passo e se sentado deveria se levantar até diante de homens mais moços”( República dos Lacedemônios,cap.IX).Um soldado espartano preferia a morte à desonra.
Todo esse esforço,no caso específico das Termópilas por uma razão: Atenas precisava evacuar toda sua população para Salamina,pois sua capacidade defensiva era muito menor.Estratégia e tática de combate e escolha de terreno adequado para o embate final necessitavam de tempo.Esse tempo precioso foi garantido por Leônidas e seus valorosos combatentes .Os esforços no desfiladeiro das Termópilas mesmo custando a vida de todos os soldados,foi o tempo necessário para se organizar a defesa e a derrota dos persas,que mesmo com todo esse esforço defensivo,ao final de um tempo,invadiram,destruíram e saquearam a Atenas completamente vazia.A população havia sido evacuada.Avançaram então para Salamina,mas ali no estreito que separa a ilha da Ática,a batalha naval deu a definitiva vitória aos espartanos naquele séc.V AC.Os persas foram vencidos.Houve ainda tentativas por parte destes,de novas invasões,mas a união de todas os clãs e de todas as regiões da antiga Grécia,depois de Salamina,venceu definitivamente os persas.
Essa lição de estratégia e coragem deve nos inspirar.Se estamos confinados,cada um em suas casas,nesta quarentena contra o inimigo que avança impiedoso ,devemos nos lembrar,que ficar me casa,não significa apenas“salvar-me” ou”proteger o outro”.Alguns equívocos levam pessoas a fantasiar e esquecer que todo esse esforço é necessário para que a estrutura básica de atendimento esteja em condições de atender aos que necessitarem no auge da doença no Brasil.É o tempo precioso de “evacuar Atenas”.
Monumentos,obras de arte,casas,bens...tudo foi destruído,mas..as pessoas se salvaram...todos os atenienses se salvaram em Salamina.
Que possamos entender esses profissionais da saúde e os gestores da crise que nos pedem para ficar em casa e que estão obrigados ao enfrentamento direto, como os valentes espartanos do rei Leônidas e entender nossa posição como os protegidos e evacuados para a ilha segura.
Não há outro modo,pois queremos vida,saúde e mais...que o maior contingente da linha de frente volte são e salvo com seus escudos para nosso aplauso e eterna gratidão e não em cima deles!
Um brinde a todos os humanos convencidos de que SOMOS UM!
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Adorei o texto:a comparação de fatos históricos da Grécia, com o momento mundial que atravessamos agora!
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