Impressionou muito!O documentário da Netflix me impressionou mesmo já tendo conhecimento de como nossas vida,escolhas,posições políticas e até gosto pessoal são manipulados e formatados nas redes.Somos em parte,frutos das narrativas que de um jeito ou outro sinalizamos na rede que por ela temos uma inclinação,simpatia ou tendência a aceitar como verdade.O algoritmo capta rapidamente a brecha, o espaço vulnerável e atua conforme o interesse ao qual as redes servem.
De imediato o susto é com a tecnologia em si,com as redes,com os"hackers" de nossa identidade que estão por trás;num segundo momento porém,percebe-se que o vilão não é a tecnologia em si,mas os propósitos ao qual está sujeita,por enquanto.Se digo por enquanto é porque em meio a todo um "brain storm" provocado pelo documentário,pude associar a forma como as redes atuam com (pasmem com meu raciocínio) a concepção de vida de um cacique Seattle cujo Manifesto ao presidente dos EUA considero um dos documentos mais ricos e sábios da humanidade;pude associar com os livros lidos de Harari e até com física quântica e algo como o que me impressionou em Fritjof Capra.
Diante de autores que apontam em direção a uma conexão possível entre tudo e todos,percebo que apenas o propósito e o espírito de competição próprio do capitalismo( e aqui ele aponta o estágio a que chegou o sistema ou seja "capitalismo de vigilância").Este,em seus primórdios mirava o monopólio,depois passou a mirar o sistema financeiro também e agora a própria opção intima de cada um,numa feroz tentativa de eliminar todo e qualquer senso crítico.Fim da contradição...seremos todos igualmente peças a serviço e não por conta de força,violência ou qualquer tipo de escravidão,mas,pela manipulação das vontades.
Ocorre,que há uma luz no final do túnel,pequena mas ainda possível:se(pode parecer conversa de bêbado esse se,mas,preciso desejar) a parcela da humanidade que ainda tem capacidade crítica e capacidade de deliberação,puder conduzir o mundo a destino mais cooperativo,economias mais solidárias,podemos sim nos redimir e ressuscitar o humano,
Afinal,quando o filme demonstra que estamos subordinados a um cérebro gigantesco produzido artificialmente ,não deixa de nos lembrar que sim...somos de fato neurônios de uma grande rede cósmica e aqui lembro Espinoza e sua concepção de Deus e todas as concepções esotéricas e antigas que dessa forma nos veem.
O individualismo pós renascentista é que foi, pari passu a evolução do sistema capitalista,se transformando num monstro cujo espírito anima a rede.É sagrada a individualidade.É pernicioso o individualismo;e aqui não pretendo falar de filantropia,mas de vida ,valores,moral e ética baseados em espírito de cooperação,em desejo de vida comunitária e bem comum acima de tudo.
Dentre as demolições de estruturas filosóficas e ideológicas levadas a termo neste final de século XX, entre outras a inoculação da idéia de que o marxismo morreu e o socialismo não é mais viável.Sem discutir a força dessa narrativa,lembro que espiralando em direção ao alto,ao bom,ao espírito de unidade cósmica podemos acreditar que se quisermos,teremos sim,caminhos a um mundo de respeito,cooperação e que saiba dominar ganância e manipulação.Primeiro porém precisamos querer pensar antes de assimilar o que vem de fora.
Um brinde à liberdade de ser parte do todo!Somos um!
Helena Zarvos.(22 de setembro de 2020)