Nos tempos que correm,não há como não pensar o que se passa.Falo da prisão de Lula e no significado que adquiriu.Muito mais do que ser ou não justa,para além de se estar lutando ou não contra a corrupção endêmica,fato ou não que o PT se envolveu nas sombrias interlocuções e nefasta "conciliação" de interesses irreconciliáveis,o fato é que estamos diante de manobras que comprometem a democracia.
Nem sei se considero democracia nos termos atuais algo a ser defendido tão ferozmente,pois é óbvio que a mesma adquiriu um sentido novo e que tal sistema se identifica melhor com o termo pós-democracia.Mas, considerando que devemos usar os conceitos consagrados como bons:democracia.
Sobre essa questão o que me ocorre é refletir em que medida a identificação com essa luta pela democracia se insere num contexto de generosidade e empatia.Não sou,não fui nunca uma pessoa que se pudesse chamar de generosa e como a qualidade é vista como virtude,sempre me penitenciei um tanto por saber-me egocentrada.Também não consigo me dizer "egoísta".O centro sendo eu mesma,minhas referencias e valores,uma certa auto-suficiência,com meus livros e afazeres,minhas indagações,meus textos,meu olhar sobre o que vivo e o Universo;indagações espirituais e inquietações intelectuais,o gosto por expressar-me escrevendo....dessa forma me inseri sempre no mundo.Cada um a sua maneira,interage.
A filantropia nunca me parece atraente.Até um pouco sedativa sabe?Aquele tipo de ação que socorre para não resolver o problema?
Pois bem, neste momento,do íntimo do meu ser,penso que por ser egocêntrica,por ansiar muito viver a vida à qual nos acostumamos,desde o primeiro governo Lula,com Brasil e brasileiros caminhando em direção ao direito de sermos todos menos preocupados com a sorte dos menos privilegiados,eis que voltam os pesadelos da juventude,a repressão e mais a miséria ameaçando novamente milhões de brasileiros...não há mais como desfrutar em paz de nada.Só o que ocorre é que seja por egoísmo seja por altruísmo é imperioso seguir com Lula, na resistência que sua permanência detido provoca.
Não tem como continuar no conforto de nossa vidinha mais ou menos ( e eu egoísticamente quero) sabendo que tantos e tantos brasileiros sofrem as consequências do golpe.Todos sofremos.
Assim,por amor ou pela dor...nem importa mais definir o que nos move,Lula precisa voltar.
Quem sabe até,depois dessa crise,possamos dizer que aprendemos que ações como,caridade e filantropia,soam estranhos quando se vive em uma sociedade cooperativa e solidária.
Um brinde ao melhor do que é humano!
segunda-feira, 30 de julho de 2018
sábado, 7 de julho de 2018
Perdas e Ganhos
Hoje é dia de ouvir falar em perda.O Brasil foi eliminado ontem da Copa da Rússia.
Fiz um breve comentário no twitter,mas a idéia permaneceu em processo de elaboração mais profundo.Fiquei pensando,do alto dos meus setenta anos,que há coisas que sinto como ganho;que a idade poderia ser vista como perda da juventude...e por aí fui.Pensei em quanto o mundo estimula as pessoas hoje me dia a "conquistarem" a "não perderem" a serem os primeiros em tudo,a terem mais e melhor a não perderem oportunidades...etc,etc.
Ainda ontem recebi um vídeo de uma entrevista do Omar Shariff(verdade ou mentira,não sei) onde conta como um "não" de uma mulher,diante do convite dele para irem beber em seu quarto de hotel,o desviou do primeiro propósito, para uma noitada num cassino,onde ganhou milhões de dólares!
Hoje,pela manhã,alguém me enviou uma mensagem dessas que se encaminha diàriamente,de bom dia,com os dizeres:Não posso evitar que meu corpo envelheça,mas minha alma sim!
Um dado daqui outro de lá, e passei horas hoje pensando em como se entende muito mal a tal "perda".Como se fosse sempre fracasso e atraso.
Para mim,hoje,idosa,de tudo o que consegui me libertar,me livrar,dispensar,reduzir,eliminar,os pesos,as mágoas,o desnecessário,o supérfluo,o incompatível, seja físico ou moral,seja no hábito seja na mala,seja no armário de roupas ...tudo o que consegui eliminar,fui percebendo que só me acrescentaram anos de vida,leveza no transito social e vida nos meus dias.
Lembro-me de uma época,trabalhando em uma boa escola particular,em que tive oportunidade de conhecer os "Jogos Cooperativos".Resumindo era o seguinte: a dança das cadeiras,que todos conhecem,funcionava de forma reversa.Cada participante que "perdia" a chance de sentar,não caia fora,como no jogo original,ele continuava no jogo e uma cadeira era retirada.Na segunda parada da música,idem...mais uma cadeira saía e todos continuavam disputando as mesmas...sendo que era permitido sentar no colo de qualquer um que estivesse ao alcance na hora da parada da música.
Depois de um tempo, poucas cadeiras e poucos sentados nela,e outro tanto se amontoando sobre os poucos sentados...uma enorme sobrecarga.
Bem...a lição foi clara....nem sempre ganhar é vantajosos.Em mundo predador e competitivo, insensibilidade quanto à amargura do outro e vantagens pessoais caminham juntas muitas vezes.Já,onde a cooperação é a regra,ou se assimila que a responsabilidade e a carga é maior para os "vencedores",ou se aprende que less is more,em algum sentido.
Enquanto vamos vivendo num mundo assim tão voraz pelas chamadas conquistas,não custa ao menos repensar o sentido de "abrir mão"" preferir não"" escolher menos" e até o sentido altamente educativo e moral da perda à qual de qualquer forma estamos todos sujeitos.
Deasapego,desprendimento e leveza se consegue amando aquilo que temos aqui e agora.Estar despidos de antigos preconceitos e convenções,de exigências da cultura que nos formata,das cobranças de um e outro...livre,leve e soltos,isso cai bem!
Um espírito não nasce livre,recebe um nome e rótulos,protocolos e códigos a serem cumpridos,passa toda uma vida tentando ganhar aprovação e se adequar!Então,bendita idade ,sabedoria e clareza que o tornam enfim livre para expressar o que tem de mais genuíno e puro.
Por isso...um brinde à liberdade de perder para ser mais e melhor!
Fiz um breve comentário no twitter,mas a idéia permaneceu em processo de elaboração mais profundo.Fiquei pensando,do alto dos meus setenta anos,que há coisas que sinto como ganho;que a idade poderia ser vista como perda da juventude...e por aí fui.Pensei em quanto o mundo estimula as pessoas hoje me dia a "conquistarem" a "não perderem" a serem os primeiros em tudo,a terem mais e melhor a não perderem oportunidades...etc,etc.
Ainda ontem recebi um vídeo de uma entrevista do Omar Shariff(verdade ou mentira,não sei) onde conta como um "não" de uma mulher,diante do convite dele para irem beber em seu quarto de hotel,o desviou do primeiro propósito, para uma noitada num cassino,onde ganhou milhões de dólares!
Hoje,pela manhã,alguém me enviou uma mensagem dessas que se encaminha diàriamente,de bom dia,com os dizeres:Não posso evitar que meu corpo envelheça,mas minha alma sim!
Um dado daqui outro de lá, e passei horas hoje pensando em como se entende muito mal a tal "perda".Como se fosse sempre fracasso e atraso.
Para mim,hoje,idosa,de tudo o que consegui me libertar,me livrar,dispensar,reduzir,eliminar,os pesos,as mágoas,o desnecessário,o supérfluo,o incompatível, seja físico ou moral,seja no hábito seja na mala,seja no armário de roupas ...tudo o que consegui eliminar,fui percebendo que só me acrescentaram anos de vida,leveza no transito social e vida nos meus dias.
Lembro-me de uma época,trabalhando em uma boa escola particular,em que tive oportunidade de conhecer os "Jogos Cooperativos".Resumindo era o seguinte: a dança das cadeiras,que todos conhecem,funcionava de forma reversa.Cada participante que "perdia" a chance de sentar,não caia fora,como no jogo original,ele continuava no jogo e uma cadeira era retirada.Na segunda parada da música,idem...mais uma cadeira saía e todos continuavam disputando as mesmas...sendo que era permitido sentar no colo de qualquer um que estivesse ao alcance na hora da parada da música.
Depois de um tempo, poucas cadeiras e poucos sentados nela,e outro tanto se amontoando sobre os poucos sentados...uma enorme sobrecarga.
Bem...a lição foi clara....nem sempre ganhar é vantajosos.Em mundo predador e competitivo, insensibilidade quanto à amargura do outro e vantagens pessoais caminham juntas muitas vezes.Já,onde a cooperação é a regra,ou se assimila que a responsabilidade e a carga é maior para os "vencedores",ou se aprende que less is more,em algum sentido.
Enquanto vamos vivendo num mundo assim tão voraz pelas chamadas conquistas,não custa ao menos repensar o sentido de "abrir mão"" preferir não"" escolher menos" e até o sentido altamente educativo e moral da perda à qual de qualquer forma estamos todos sujeitos.
Deasapego,desprendimento e leveza se consegue amando aquilo que temos aqui e agora.Estar despidos de antigos preconceitos e convenções,de exigências da cultura que nos formata,das cobranças de um e outro...livre,leve e soltos,isso cai bem!
Um espírito não nasce livre,recebe um nome e rótulos,protocolos e códigos a serem cumpridos,passa toda uma vida tentando ganhar aprovação e se adequar!Então,bendita idade ,sabedoria e clareza que o tornam enfim livre para expressar o que tem de mais genuíno e puro.
Por isso...um brinde à liberdade de perder para ser mais e melhor!
domingo, 1 de julho de 2018
Quando escrever é catarse!
Há momentos em que a alma parece explodir ou sufocar.Sem saídas definidas pelo caminho da inteligência,resistente quanto a seguir a intuição!
Quando vejo meu país ser entregue escandalosamente aos interesses externos,imperialistas,penso que minha análise,convicção e senso crítico são inócuos,nunca farão a diferença mesmo sabendo que como eu pensam milhões de pessoas.
Nossos meios de ação parecem todos comprometidos com regras manipuladas,estabelecidas a priori de forma a manter o status quo e mesmo o coro dos indignados vai sendo percebido como parte de uma orquestra regida de tal forma,com tal "maestria" que até mesmo a dissonância parece ter sido prevista,regulada e já computada nos riscos previstos.
Aliás,os riscos para a dominação voraz e predadora do sistema capitalista aparentemente vão se tornando cada vez menores,haja vista a desmoralização da esquerda no mundo pela mídia e por todos os mecanismos de ação que procuram fazer a devida mutação nos seres pensantes,para que pensem que pensam.
Espíritos livres! Quantos somos?
E afinal,do que somos efetivamente capazes?Qual é nosso potencial de resistência à avalanche predadora que já não esconde sua ferocidade nem insensibilidade?
Esse cenário faz uma inteligência oscilar entre a irracionalidade e ímpeto de resolução imediata;a ponderação e capacidade de articulação para resistir da forma mais sensata e paciente e também aciona o contato com esferas mais espirituais e imponderáveis do nosso ser,onde a intuição nos socorre com fé,esperança em tempos melhores de outra natureza. O misticismo, a crença intuitiva em luz fora da caverna,o mundo real além das sombra parecem um socorro e conforto.
Sendo ou não esse mundo relativo,de sombras,nossa única realidade,valendo ou não ao ser encarnado neste tempo e neste lugar,esperar em outros níveis sua redenção,ainda assim,a prece de São Francisco de Assis e o Sermão do Monte,relidos nos tempos que vivemos,são um desafio às mentes inquietas como a minha.Trata-se de procurar o limite entre a atitude que não compactue com o mal mas que não se iluda com soluções que agridam os conceitos de bom e de justo consagrados pelos antigos filósofos.
No fundo no fundo,se trata de perguntar e encontrar a resposta para a pergunta: " Como age o amor,quando tem que dizer não?"
Paz e Bem!
Quando vejo meu país ser entregue escandalosamente aos interesses externos,imperialistas,penso que minha análise,convicção e senso crítico são inócuos,nunca farão a diferença mesmo sabendo que como eu pensam milhões de pessoas.
Nossos meios de ação parecem todos comprometidos com regras manipuladas,estabelecidas a priori de forma a manter o status quo e mesmo o coro dos indignados vai sendo percebido como parte de uma orquestra regida de tal forma,com tal "maestria" que até mesmo a dissonância parece ter sido prevista,regulada e já computada nos riscos previstos.
Aliás,os riscos para a dominação voraz e predadora do sistema capitalista aparentemente vão se tornando cada vez menores,haja vista a desmoralização da esquerda no mundo pela mídia e por todos os mecanismos de ação que procuram fazer a devida mutação nos seres pensantes,para que pensem que pensam.
Espíritos livres! Quantos somos?
E afinal,do que somos efetivamente capazes?Qual é nosso potencial de resistência à avalanche predadora que já não esconde sua ferocidade nem insensibilidade?
Esse cenário faz uma inteligência oscilar entre a irracionalidade e ímpeto de resolução imediata;a ponderação e capacidade de articulação para resistir da forma mais sensata e paciente e também aciona o contato com esferas mais espirituais e imponderáveis do nosso ser,onde a intuição nos socorre com fé,esperança em tempos melhores de outra natureza. O misticismo, a crença intuitiva em luz fora da caverna,o mundo real além das sombra parecem um socorro e conforto.
Sendo ou não esse mundo relativo,de sombras,nossa única realidade,valendo ou não ao ser encarnado neste tempo e neste lugar,esperar em outros níveis sua redenção,ainda assim,a prece de São Francisco de Assis e o Sermão do Monte,relidos nos tempos que vivemos,são um desafio às mentes inquietas como a minha.Trata-se de procurar o limite entre a atitude que não compactue com o mal mas que não se iluda com soluções que agridam os conceitos de bom e de justo consagrados pelos antigos filósofos.
No fundo no fundo,se trata de perguntar e encontrar a resposta para a pergunta: " Como age o amor,quando tem que dizer não?"
Paz e Bem!
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