terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Ainda minha mãe...o que aprendi

Como é mais recente a perda de minha mãe,refiro-me a ela.
Já precisei de outro tanto processando a perda de meu pai e agora ele participa feliz e intensamente da minha vida,interiorizados que estão seu amor e sua força.Saudade sim...muita....mas parece que tudo está em seus devidos lugares no que se refere a ele.Ele era personalíssimo..."dinatós"!(Forte)
Quanto à minha mãe,algo mais estranho aconteceu nesse período em que cada lugar que ela visitou,cada cantinho que ela apreciava,cada objeto que lhe pertenceu parece contar novamente histórias  vividas e momentos compartilhados.
Mais que isso,tudo o que ouvi quando conversavamos e tudo o que ela exemplificou,curiosamente agora adquirem nova perspectiva .
Em especial a forma como ela lidava com a autoridade e a força.Nunca bateu de frente.Sempre esperou momentos oportunos e o tempo propriamente dito para organizar o que não estava de acordo.
Teve paciencia,humildade e muita suavidade.Era forte,muito forte,mas usou sua força para controlar seus próprios impulsos menos oportunos e  ímpetos .
Eu,jovem e impetuosa,afoita e até precipitada,impulsiva e passional,quantas e quantas vezes me flagrei pensando..."não quero ser como você"!
Cresci me confrontando,batendo de frente com o mundo e discutindo minhas posições e idéias com veemencia.
Bem verdade, que aqui ou ali,em nossas conversas ela bem que admirava isto ou aquilo do que eu fazia,como se fossem parte do repertório que ela não realizara.Com certeza tinha suas frustrações como todos temos.
Eramos diferentes as duas,muito diferentes.
Eu penso em minha avó e me lembro que com ela eu tinha mais afinidades.
Pois é....mas ao longo da doença,do longo sofrimento suportado por ela e compartilhado por nós,fui percebendo e sentindo que a aroeira de que ela era feita,exigira também aquele estoicismo até o fim.Entendi que se propôs em algum momento de sua existencia a demonstrar que a aparente fragilidade significa a força maior que um ser humano pode ter.Que a doçura,a suavidade,o calar-se diante das forças externas pode ser a forma mais sábia de conviver  e transformar.
Quando perdi meu pai,experimentei a perda da referencia de força externa;com minha mãe,muito dolorosa a perda da referencia de amor incondicional.
Bom para todos nós,filhos,que o longo tempo de senilidade e cuidados que ela precisou,serviram para que nos desse as ultimas lições.
Para mim,foi a da paciencia,da doçura,da não argumentação.
No silencio,nos gestos de amor e na humildade para aceitar aquilo que não tem como ser modificado está a melhor lição que ela me deixou.
Um brinde ao amor de mãe!De minha mãe...puro "agápi"(amor)

domingo, 15 de dezembro de 2013

Que mundo é esse?

Estive compartilhando meus pensamentos e sensações há algum tempo,já.
Depois desse 14 de outubro,tantos fatos,tantos sentimentos,uma enorme perda...
Minha mãe se foi há 40 dias...aquela doce velhinha,aos 89 foi ao encontro do homem com quem passou 66 anos de sua vida,do pai e da mãe que nunca esqueceu e de quem cuidou até o final.
"Eu sinto tanta saudade dele"...foi sua ultima frase lúcida,em meio à senilidade,poucos dias antes de falecer.
Hoje estivemos rezando por ela numa cerimonia ortodoxa,religião de nosso batismo e esteio da identidade grega.Ritual antigo e ambiente sagrado numa realidade que remete ao tempo do Império Bizantino,a nossas raízes e antepassados.
Os incensos e os canticos além dos gestos e postura das pessoas,até mesmo o tempo que se permanece dentro da igreja....uma realidade que tem densidade própria,força e energia quase sólidas de tão consistentes.É uma ritual de permanencia.
Pois bem...por uma questão de ordem absolutamente prática,PRECISEI entrar no shopping algum tempo depois dessa cerimonia,nesse mesmo domingo.
Imantada e ainda vivendo as sensações da manhã,mergulho num mundo fluido e volatil,liquido e sem consistencia,rápido e em cuja natureza está o transitório....mundo de consumo,de acesso ao que acaba rápido,do que é altamente perecível em todos os sentidos e levei um choque.
"Que mundo é esse?"
Minha indagação não se colocou pelo perecível,mas pela coexistencia em nós de duas ordens de valores.Podemos pela manhã...ao menos pude eu,pela necessidade é verdade,mas pude,transitar em dois mundo totalmente distintos e equacionar essa incompatibilidade.
Agora,analisando isso,penso que o mundo perde cada vez mais os valores da permanencia e estimula os da transitoriedade,do perecível...
De minha parte,penso que consigo transitar com segurança no ambiente da fluidez e da transitoriedade porque tenho referencias sólidas.Mas,quantos dos jovens e crianças que circulam por esse ambiente tem tido a oportunidade de conhecer tradições?
Precisamos pensar nisso e oferecer aos nossos pequenos alguma coisa que seja daquilo que podemos chamar de tradicional.
E não vale aqui,Papai Noel e nem Reveillon....estes eventos já se corromperam também....talvez melhor do que isso....mostrar ao pequeno de 5 anos uma foto da bisavó,dizer que ela falava lingua grega e ensinar a contar até dez em grego.
Tenho visto jovens e adultos que não sabem de que povo descendem....Muitos por sinal!
Isso é triste e também sinal de envelhecimento.Estou ficando velha,com certeza.
Mas....com muita alegria,faço um brinde ao antepassado,ao que já ficou eterno e ao que nunca deixará de ser enquanto alguém cultuar.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Elegancia e bondade

Penso com muita frequencia em comportamentos desejados e nem sempre possiveis para todos. Elegancia e bondade são duas qualidades que me intrigam,pois são desejadas por qualquer pessoa educada e há muito esforço empenhado para se alcançar essas condições:Elegante!Bondosa(o)! Eu mesma quando jovem,passei por algumas experiencias com o objetivo de aprender a sentar direitinho,a caminhar com elegancia,a usar talheres adequadamente,a retribuir presentes à altura,a conviver de forma socialmente apreciável. Existe,de fato uma maneira mais elegante de se dançar,de se caminhar e de se vestir...mas a verdadeira elegancia,a vida foi mostrando aos poucos em situações que jamais esqueci. Numa delas,ainda muito jovem,nem havia feito os tais cursinhos que ensinam a usar os talheres adequadamente,fui convidada para um almoço em casa de gente muito rica,refinada e culta. A mesa foi posta para jovens como eu,íamos comer num lindo terraço de apartamento na década de 60...é...muito,muito tempo atrás...e ficou na memória até hoje como um presente de uma dama. Muito metida,antes de ver como é que as outras fariam para usar os talheres dispostos em cada lado do prato fui a primeira a escolher um deles para utilizar na salada.Hoje acho que o desconcerto de demonstrar ignorancia era tão grande,que fui logo pegando o talher que me pareceu o certo,para mostrar que estava segura naquela mesa!! Peguei o garfinho que estava disposto acima do prato,juntamento com a colher esperando a SOBREMESA! Muito bem...ninguém mais pegou aquele,óbviamente...com exceção da dona da casa,que com a maior naturalidade,pegou também o garfo errado e me fez sentir que SÓMENTE EU havia acertado! Naquele dia recebi a primeira lição de verdadeira elegancia!Nunca esqueci a atitude,consigo ter em mente todas as situações similares e muito menos esqueci a dama que com tanta bondade e simplicidade acolheu meu equivoco. Isso é ser bom,distinto e elegante. Protocolos são cumpridos muitas vezes,sem o espírito do acolhimento e da ternura necessárias ao gesto elegante. Para finalizar,outro exemplo de extrema elegancia e carinho:num almoço,recente,em casa de um jovem casal,depois de uma certa hora de termos almoçado,manifestei a intenção de irmos embora,afinal,os anfitriões também precisam descansar depois de um grande almoço. Pois bem...como dissera..."Sim,está na hora...vamos para casa,não posso ficar muito tempo sem escovar os dentes depois do almoço" Qual não foi minha surpresa ao ver a anfitriã discreta e carinhosamente me presentear com escova e tudo mais para minha higiene. Com elegancia e carinho,afirmou seu desejo de nos ter mais tempo ali e superou a extrema qualidade de tudo o que nos ofereceu,o bom gosto da decoração e o requinte de seu lar. Isso é a verdadeira elegancia,aquela que não está escrita no protocolo;assim como bondade,caridade...o gesto precisa estar acompanhado de um coração que vibra puro amor.Não serve fazero gesto só para fazer bonito.Melhor esperar a exigencia do coração. Assim,hoje vai um brinde aos jovens anfitriões do sábado e a suas crianças!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Vamos combinar...

Vamos combinar que tem hora que mãe pensa que sabe o que é o melhor para os filhos? Mesmo quando eles crescem?Se fazem homens?Pais de familia? Tem,oh,se tem...o que não tem muito é a gente conseguir admitir que afinal de contas a nora está mais sintonizada com seus problema,menos protetora,mais capaz de ver lá na frente e menos em pânico do que mãe quase sempre entra. Consigo me lembrar de uma situação em que um filho,aprendendo a nadar e em sua primeira competição,tentava atravessar a raia na linha reta e não ia lá muito bem...hehehe!Ele enviezava,atrasado demais comparando com o ritmo dos demais e obstinado,continuava...claro!O moleque era saudável. Insana era a mãe que ao invés de torcer,berrar "vai filho vai"....gritava"volta,filho,volta"!! Pois é....o melhor que posso fazer agora é confessar em público esse meu fracasso como mãe incentivadora. Bom...e não foi só isso...quantas e quantas vezes,ele estudava mais do que me parecia razoável,ainda no ensino fundamental e eu dizia..."chega,filho,já está bom...você já está sabendo a matéria." Grave?Gravissimo,se considerarmos que eu era professora! Muito bem...obstinado ele,pouco encorajadora eu daquilo que as vezes me parecia excesso....o resultado foi que hoje,adulto,com uma bela carreira e uma linda familia,tem seus desafios e penares. Felizmente quem lá está,ombro a ombro e vez por outra tendo que torcer na beirada da piscina,não sou eu....é minha nora! Um brinde ás noras vitoriosas na mitologica superação das mães ao lado dos filhos!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O farol

Ouvi uma estorinha ontem;uma dessas de fundo moral e vou tentar reproduzir. Havia um navio em alto mar e num certo momento este foi surpreendido por forte borrasca. Ventania,chuva,ondas altissimas,insegurança e medo a bordo e o temporal durando e durando...não passava e não havia como evitar que o navio adernasse,de um lado a outro,quase naufragando. De repente,para agravar a situação,um marinheiro avistou uma luz vindo em direção ao navio e se prenunciava um choque entre os dois. O capitão imeditamente ordenou ao marinheiro que transmitisse uma ordem à tal embarcação que vinha para cima do navio,que desviasse dez graus,mas aquele que recebeu a ordem retrucou" Desviem vocês dez graus para norte". O capitão irado por ver sua determinação sendo contradita,repetiu a ordem e disse..."quem ordena aqui sou eu,o capitão do navio tal"...ao que do outro lado respondeu"e aqui quem fala é o faroleiro...vocês tão vindo em direção a um farol e portanto tem que desviar"! O que pude entender,gostaria de transmitir:quantas e quantas vezes,vivemos situações nas quais o sofrimento parece advir da obstinação do destino em não compactuar a nosso favor.Quantas vezes,nossos projetos,sonhos e planos parecem impossíveis de serem realizados e nós obstinadamente continuamos numa luta na direção do que nos propusemos a alcançar. Sentimo-nos corajosos,determinados,donos de nossa própria vida,controlando e gerindo,como se diz,cada momento de nossa agenda em função de tal ou qual projeto.Nada nos demove.Controle total da situação é o que desejamos. Pensar em mudar a rota,o objetivo,a estratégia,os planos de navegação?Não...Nunca! Ouvindo porém esse conto,fiquei ainda mais convencida,de que mudança de rota,alteração dos planos de navegação,não só são possíveis,como salutares e decisivos para podermos continuar a jornada.Metas,temos que ter as nossas,mas preciamos saber alterá-las e acima de tudo,lembrar que há metas propostas por Deus e que nós muitas vezes só conheceremos ao alcançar. Finalmente,gostaria de lembrar,que apego não é o mesmo que amor,sempre digo e que apego a projetos que já pedem para ser alterados,não é abandono de nada,nem perda,nem desapego...é antes de tudo,libertação! Um brinde à possibilidade de arbitrar e decidir mudar!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O que dizer?

Saber que a palavra tem muita força não basta.É preciso estarmos atentos e vigilantes.A tentação de dizer coisas é grande e mãe sabe que diante de uma situação de filho angustiado,seja qual for,o coração reclama participação e a intenção de ajudar vira um impulso quase irrefreável.Contamos com nossa experiencia,o amor incondicional e a certeza de que conhecemos nossa cria,para nos autorizarmos a "ajudar" com nossos conselhos. Porém,dando voltas e mais voltas pelos caminhos das alternativas possiveis eu mesma já me deparei com becos sem saída nessas tentativas. Soberano o livre arbítrio e para quem crê,soberano o karma de cada um de nós. Não raro,me apanho divagando e entrando em contato com meus filhos ainda pequenos.Todos eles já são adultos,estão atuando em suas áreas de competencia em plena luta.O mundo em que vivem não é mais o que me dava alegria e paz.Aquele era o do gramado imenso onde brincavam,o banco de trás onde se recostavam cansados na volta da escola ou do esporte,a cozinha que rodeavam gulosos,atraídos pelos aromas de bolo de cenoura e pão na chapa! Seu universo hoje são os aeroportos,os congestionamentos,as insuportáveis pressões do mundo corporativo e a competição desenfreada,senão deles,das corporações...e portanto exigindo deles. Lembro-me dos jogos cooperativos em que esperavamos,enquanto ainda lecionava,formar gerações,que na dança das cadeiras funcionassem de forma completamente oposta ao tradicional:que,sim,cada vez que a música parasse,uma cadeira fosse retirada,mas que ninguém saísse do jogo.Na hora de sentar,aquele que não encontrasse cadeira,sentasse no colo de alguém. Que farra descobrir essa nova abordagem...de inicio,o condicionamente ainda fazia a pressa para sentar na cadeira,mas à medida que os alunos iam percebendo que não havia vantagem nisso,porque aos poucos o peso dos demais ia sobrando para quem estava sentado,ao final mais se tentava dar a vez a quem quisesse do que pressa para sentar e aquilo que antes era objeto de disputa acirrada,ao final era desprezado e até temido. Infelizmente eu não consegui comprovar eficácia de nossa tentativa na escola.Não construímos uma geração cooperativa na acepção da palavra.Conseguimos construir talvez pessoas mais capazes de trabalhar em equipes sim,que vestem a camisa das empresas em que trabalham,como se isso fosse legitima cooperação,para que estas possam desenvolver sua competitividade ao mais elevado grau e ponto. Não construiram um mundo cooperativo.O princípio foi utilizado a serviço de sua antítese,aprimorando-a. Que pena!E ficamos nós mães ou nós pessoas que olham para si mesmas com autoestima e respeito,como as mães costumam olhar embaraçadas diante da impotencia.Rezando e esperando que seus anjos de guarda os guiem para um porto seguro. Mas,como a palavra tem força e palavra de mãe tem ainda mais,penso que se for para dizer algo nesse caso,o melhor a fazer é pedir" Filho(a),se fosse o seu(sua) filho que estivesse nesse sufoco que você vive hoje,o que lhe aconselharia?" Tenho fé, que seu amor de pai(mãe) vai lhe indicar uma resposta seguramente boa. Um brinde ao amor incondicional dos pais.

domingo, 22 de setembro de 2013

Que tempo foi esse?

Estou me dando conta de que,na prática,desativara meu blog,por pura inércia...Acabei esquecendo de que forma eu podia acessá-lo! Usei o tempo que fiquei distante...não foi perdido.Foi muitissimo bem aproveitado e agora estou de volta. Ciclos,não é?Nossa existencia é perfeitamente ciclica. Então,estou entendendo que fiz um ciclo de introspecção e agora quero estar presente novamente sempre que for possivel. Estabelecer uma nova periodicidade talvez? Nesse tempo que estive off line,fiz novas amizades,refiz velhas amizades,ganhei netos...dois! É...faz um tempão...mas o blog aí estava à minha espera,reflexões guardadas,considerações e momentos registrados. Acho que esperava seguidores...e fiquei decepcionada! Agora,farei uma campanha promocional e talvez possa agregar algum valor! Um brinde à renovação!