Estive compartilhando meus pensamentos e sensações há algum tempo,já.
Depois desse 14 de outubro,tantos fatos,tantos sentimentos,uma enorme perda...
Minha mãe se foi há 40 dias...aquela doce velhinha,aos 89 foi ao encontro do homem com quem passou 66 anos de sua vida,do pai e da mãe que nunca esqueceu e de quem cuidou até o final.
"Eu sinto tanta saudade dele"...foi sua ultima frase lúcida,em meio à senilidade,poucos dias antes de falecer.
Hoje estivemos rezando por ela numa cerimonia ortodoxa,religião de nosso batismo e esteio da identidade grega.Ritual antigo e ambiente sagrado numa realidade que remete ao tempo do Império Bizantino,a nossas raízes e antepassados.
Os incensos e os canticos além dos gestos e postura das pessoas,até mesmo o tempo que se permanece dentro da igreja....uma realidade que tem densidade própria,força e energia quase sólidas de tão consistentes.É uma ritual de permanencia.
Pois bem...por uma questão de ordem absolutamente prática,PRECISEI entrar no shopping algum tempo depois dessa cerimonia,nesse mesmo domingo.
Imantada e ainda vivendo as sensações da manhã,mergulho num mundo fluido e volatil,liquido e sem consistencia,rápido e em cuja natureza está o transitório....mundo de consumo,de acesso ao que acaba rápido,do que é altamente perecível em todos os sentidos e levei um choque.
"Que mundo é esse?"
Minha indagação não se colocou pelo perecível,mas pela coexistencia em nós de duas ordens de valores.Podemos pela manhã...ao menos pude eu,pela necessidade é verdade,mas pude,transitar em dois mundo totalmente distintos e equacionar essa incompatibilidade.
Agora,analisando isso,penso que o mundo perde cada vez mais os valores da permanencia e estimula os da transitoriedade,do perecível...
De minha parte,penso que consigo transitar com segurança no ambiente da fluidez e da transitoriedade porque tenho referencias sólidas.Mas,quantos dos jovens e crianças que circulam por esse ambiente tem tido a oportunidade de conhecer tradições?
Precisamos pensar nisso e oferecer aos nossos pequenos alguma coisa que seja daquilo que podemos chamar de tradicional.
E não vale aqui,Papai Noel e nem Reveillon....estes eventos já se corromperam também....talvez melhor do que isso....mostrar ao pequeno de 5 anos uma foto da bisavó,dizer que ela falava lingua grega e ensinar a contar até dez em grego.
Tenho visto jovens e adultos que não sabem de que povo descendem....Muitos por sinal!
Isso é triste e também sinal de envelhecimento.Estou ficando velha,com certeza.
Mas....com muita alegria,faço um brinde ao antepassado,ao que já ficou eterno e ao que nunca deixará de ser enquanto alguém cultuar.
domingo, 15 de dezembro de 2013
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Olá!Paz e bem!