Hoje é dia de ouvir falar em perda.O Brasil foi eliminado ontem da Copa da Rússia.
Fiz um breve comentário no twitter,mas a idéia permaneceu em processo de elaboração mais profundo.Fiquei pensando,do alto dos meus setenta anos,que há coisas que sinto como ganho;que a idade poderia ser vista como perda da juventude...e por aí fui.Pensei em quanto o mundo estimula as pessoas hoje me dia a "conquistarem" a "não perderem" a serem os primeiros em tudo,a terem mais e melhor a não perderem oportunidades...etc,etc.
Ainda ontem recebi um vídeo de uma entrevista do Omar Shariff(verdade ou mentira,não sei) onde conta como um "não" de uma mulher,diante do convite dele para irem beber em seu quarto de hotel,o desviou do primeiro propósito, para uma noitada num cassino,onde ganhou milhões de dólares!
Hoje,pela manhã,alguém me enviou uma mensagem dessas que se encaminha diàriamente,de bom dia,com os dizeres:Não posso evitar que meu corpo envelheça,mas minha alma sim!
Um dado daqui outro de lá, e passei horas hoje pensando em como se entende muito mal a tal "perda".Como se fosse sempre fracasso e atraso.
Para mim,hoje,idosa,de tudo o que consegui me libertar,me livrar,dispensar,reduzir,eliminar,os pesos,as mágoas,o desnecessário,o supérfluo,o incompatível, seja físico ou moral,seja no hábito seja na mala,seja no armário de roupas ...tudo o que consegui eliminar,fui percebendo que só me acrescentaram anos de vida,leveza no transito social e vida nos meus dias.
Lembro-me de uma época,trabalhando em uma boa escola particular,em que tive oportunidade de conhecer os "Jogos Cooperativos".Resumindo era o seguinte: a dança das cadeiras,que todos conhecem,funcionava de forma reversa.Cada participante que "perdia" a chance de sentar,não caia fora,como no jogo original,ele continuava no jogo e uma cadeira era retirada.Na segunda parada da música,idem...mais uma cadeira saía e todos continuavam disputando as mesmas...sendo que era permitido sentar no colo de qualquer um que estivesse ao alcance na hora da parada da música.
Depois de um tempo, poucas cadeiras e poucos sentados nela,e outro tanto se amontoando sobre os poucos sentados...uma enorme sobrecarga.
Bem...a lição foi clara....nem sempre ganhar é vantajosos.Em mundo predador e competitivo, insensibilidade quanto à amargura do outro e vantagens pessoais caminham juntas muitas vezes.Já,onde a cooperação é a regra,ou se assimila que a responsabilidade e a carga é maior para os "vencedores",ou se aprende que less is more,em algum sentido.
Enquanto vamos vivendo num mundo assim tão voraz pelas chamadas conquistas,não custa ao menos repensar o sentido de "abrir mão"" preferir não"" escolher menos" e até o sentido altamente educativo e moral da perda à qual de qualquer forma estamos todos sujeitos.
Deasapego,desprendimento e leveza se consegue amando aquilo que temos aqui e agora.Estar despidos de antigos preconceitos e convenções,de exigências da cultura que nos formata,das cobranças de um e outro...livre,leve e soltos,isso cai bem!
Um espírito não nasce livre,recebe um nome e rótulos,protocolos e códigos a serem cumpridos,passa toda uma vida tentando ganhar aprovação e se adequar!Então,bendita idade ,sabedoria e clareza que o tornam enfim livre para expressar o que tem de mais genuíno e puro.
Por isso...um brinde à liberdade de perder para ser mais e melhor!
sábado, 7 de julho de 2018
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Olá!Paz e bem!