sexta-feira, 19 de junho de 2015

O mundo melhor


         O mundo melhor

 

Meus pais viajaram muitíssimo enquanto a saúde de ambos permitiu.

Por todo o mundo!Viram,sentiram e conheceram a vida plenamente.

Ambos se foram muito idosos e nos deixaram um belo legado moral.

Sabiam do que estavam falando,no mínimo pela longevidade,não fosse a cultura e conhecimentos acumulados.

Desde sempre,nas viagens pelo interior de S.Paulo,vindo para Lins, ouvimos de minha mãe  uma frase dita de um jeito só dela(os erres saídos da ponta da língua).

A frase também parecia estar na ponta da língua em cada percurso feito de carro,olhando a imensidão da paisagem :”Tanta terra...tanta gente passando fome!Podiam dar um pedaço de terra para cada um...”

Dita por meu pai poderia ser ideologia.

Vinda dela a fonte era outra.Era um ser real,profundamente humano e amoroso que vivia naquela aparência frágil e simples.

Apesar de saber de onde vinha essa afirmação,de que coração e de que sentimentos,sempre parecia um pouco fantasioso da parte dela sonhar com isso.

Repenso agora com outra percepção.

Para explicar de onde veio,transcrevo um trecho de um prefácio escrito por Wilhem Reich para a terceira edição em língua inglesa de sua obra “Psicologia de Massas do Fascismo”em agosto de 1942.A primeira edição foi na década de 30.

 

”Uma longa e árdua prática terapêutica com o caráter humano levou-me à conclusão de que,na avaliação das reações humanas é necessário considerar três níveis diferentes da estrutura biopsiquica.Estes níveis da estrutura do caráter são ,conforme tive ocasião de expor na minha obra Analise do Carater,depósitos,com funcionamento próprio,do desenvolvimento social.No nível superficial da sua personalidade o homem médio é comedido,atencioso,compassivo,responsável,consciencioso.Não  haveria nenhuma tragédia  social do animal humano se este nível superficial da personalidade estivesse em contato direto com o cerne natural mais profundo.Mas infelizmente não é esse o caso:o nível superficial da cooperação social não se encontra em contacto com o cerne biológico profundo do individuo;ela se apoia num segundo nível de caráter intermediário,constituído por impulsos cruéis,sádicos,lascivos,sanguinários e invejosos.É  “inconsciente” ou “reprimido” de Freud,isto é,o conjunto daquilo que se designa na linguagem da economia sexual,por “impulsos secundários”.

            A biofisica orgonica tornou possível a compreensão do inconsciente freudiano,aquilo que é anti-social no homem,como resultado secundário da repressão de exigências biológicas primárias.E quando se penetrar ,através deste segundo nível destrutivo,até atingir os substratos biológicos do animal humano,descobrir-se-a,invariavelmente a terceira camada,a mais profunda,que designamos por cerne biológico.Nesse cerne,sob condições sociais favoráveis,o homem é um animal racional essencialmente honesto,trabalhador,cooperativo que ama e,tendo motivos,odeia.É absolutamente impossível conseguir-se uma flexibilidade da estrutura do carater do homem atual através da penetração desta camada mais profunda e tão promissora,sem primeiro eliminar-se a superfície social espurea e não genuína.Mas ao cair a máscara das boas maneira, o que primeiro surge não é a sociabilidade natural mas sim o nível de caráter perverso-sádico.

È esta infeliz estruturação que é responsável pelo fato de que qualquer impulso natural,social ou libidinoso,provenientes do cerne biológico,seja forçado a atravessar o nível das pulsões secundárias perversas,que o distorcem,sempre que pretenda passar à ação.Esta distorção transforma a natureza originalmente social dos impulsos naturais em perversidade e ,deste modo,leva á inibição de todas as manifestações autenticas de vida.

            Tentemos transportar esta estrutura humana para a esfera social e políticas”

 

            É fácil descobrir que os diferentes agrupamentos políticos e ideológicos da sociedade humana correspondem aos diferentes níveis da estrutura do caráter humano.....”

 

 

            Interrompo aqui primeiro para voltar ao inicio e dizer que assim como minha mãe desejou,milhares de pessoas anseiam e expressam o desejo intimo de ver o cerne biológico de Reich transformado numa sociedade solidária e justa.

            Depois,numa reflexão menos afetiva,repetir que esse desejo vem sendo manifestado no Brasil e no mundo com insistência nos dias que correm.

            A pergunta que todos se fazem com certeza é “ como”?

            Há respostas cientificas, ideológicas e religiosas.Não iremos debate-las.

            No caso,vale lembrar como queria Reich que “Amor,trabalho e conhecimento são as fontes da nossa vida.Deveriam também governá-la”

            Ao longo de suas considerações sobre trabalho vitalmente necessário,de auto gestão e de sua visão do que seja a política,temos a certeza de que é trabalho para ser lido,relido e muito debatido.

            Coincidentemente uma recente entrevista do professor e economista Paul Singer trouxe à baila a questão da economia solidária,que a seu ver é a forma de verdadeiramente solucionar as graves questões sociais e econômicas da atualidade .Sua crença me faz  pensar se começa a caber no universo do homem e da mulher do século XXI o ideal de cooperação de uma forma tão consistente como foi o de competição e competitividade até agora.

            Por quais caminhos conseguiremos chegar a esse mundo melhor tanto e tanto sonhado e de forma tão cândida e genuína nossas mães o desejaram,cabe a cada uma de nós refletir,tomar posição e atuar.

            Se através de terapias que nos ajudem a fazer emergir o cerne biológico de Reich,de auto critica e aprimoramento pessoal e cidadão ou se através de ações que promovam esse mundo melhor cada um de nós terá que descobrir.

           

            Só o que não cabe mais é a expressão “apolítico” tão cômoda a quem não gosta de pensar.Se não queremos ser massa temos que estudar e muito para sustentar posição e ser sujeitos de nossa história.

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Integra do discurso de Marina Zarvos R.de Oliveira

Um pouco sobre Miguel A. Zarvos

Nosso pai, (filho de pai grego e mãe Índia-borôro) carregou -como dupla herança genética - o amor pela Natureza e pela Política.
Parecia ver, na sua cidade, a pequena aldeia indígena,onde todos buscavam o bem comum.
Parecia ver ,na cidade,a Polis grega ,nascida das mentes de seus ancestrais e lugar do exercício da Democracia.
Com olhar ,encantado pela vida do grande filósofo Sócrates e inspirado pelas leituras de Platão e Aristóteles ,notadamente "A Ética e a Política", Miguel desenvolveu o dom da Retórica.
Utilizou-a através da luta por ideais comuns e em benéfico da cidade que o acolheu .
Foi contemporâneo de Gilberto Siqueira Lopes,Moisés Antônio Tobias,Bonifácio Urel, Fauze Kfouri, Joaquim Rocha, Alcides Ramos Antunes e tantos outros representantes do povo linense.
Dentre tantas lutas,citamos as campanhas - Contra a Bomba Atômica, ,Pela Paz-e a do -Petróleo é Nosso -.Lutas que resultaram em discussões acirradas /,muitas vezes,perseguições políticas ferrenhas.
Não se cansava de contar, com riqueza de detalhes,os embates políticos e os inúmeros encontros com grandes nomes do cenário nacional : Jânio Quadros,Adhemar de Barros ,Laudo Natel, Ivete Vargas e o notável Ulysses Guimarães.

Com ele aprendemos -nós,seus filhos e netos -a força da Honra e o valor da Honestidade.Dele ouvimos-desde muito jovens-as palavras de muitos filósofos.Dele ouvimos as palavras de Platão (ainda nó séc.IV AC) a um visitante ateniense,que compartilhamos com os senhores:

" Uma sociedade em que nem a riqueza nem a pobreza existem produz homens de excelente caráter,já que nela não há lugar para violência ou maldade,nem para rivalidade ou inveja".

Finalizando peço licença para lançar mão de uma palavra em grego: Areté. Areté,não tem uma tradução exata,mas pode ser entendida como "Virtude" ou Excelência".Na prática,Areté é aquilo pelo qual se realiza máxima e plenamente ,os potênciais de cada pessoa.

No caso de Miguel Zarvos,com orgulho dizemos que,na vida privada,nos ensinou a "Areté". E ousamos dizer que ,na vida pública,foi dotado da "Arete do político"e, no seu âmbito de atuação ,a realizou plenamente.

Reiteramos nossos sinceros agradecimentos pela homenagem.

Obrigada


Enviado via iPad



quarta-feira, 3 de junho de 2015

Meu pai


                               Meu pai

 

 

Enquanto ele viveu era o meu pai,mas depois que se foi tornou-se algo mais.

Com ele presente(uma interação difícil diante da autoridade que não se podia desafiar)minhas defesas se aguçavam.Eu precisava me afirmar no mundo.

Enfrentava,questionava no silencio dos mais fracos,sonhava com libertação e temia.

Amava e temia.Muito amava e muito temia.

A segurança e toda a proteção que necessitava,na infância pareciam vir dele.

Na juventude,todas as regras impostas tolhiam e castravam.

A busca pelo novo, própria dos jovens,o desejo de experiência de vida era sempre obstruída pela voz da experiência dele.E do poder.

A regra era obedecer.

Na infância o deleite das histórias,longas histórias,adoradas histórias que contava;na juventude e maturidade o prazer de ouvir suas memórias e conceitos políticos,filosóficos,morais e até religiosos.
Agora podíamos compartilhar experiencias e muitas idéias.

Ainda assim,vez por outra o gesto autoritário que não podia ser enfrentado senão timidamente e muito respeitosamente.

Agora tornou-se referencia que posso seguir.Livremente, na medida que me aprouver e quase sempre perfeito sinal de correção no caminho.

Posso dar razão a quase tudo sem me sentir ameaçada por sua força.

Ela agora está interiorizada e me pertence.

Isso tornou meu pai aquilo que todos os antepassados eram na Grécia Antiga...os lares!Deuses protetores de seu clã e guardiões de todos os esforços para nos tornarmos também bons sinalizadores um dia.

Os valores transmitidos ganham nova dimensão,como que depurados de toda interferência da personalidade de quem quer que seja.Ele se tornou também meu avô,meu bisavô,meu tataravô,a mãe dele minha avó,os índios dos quais ela nasceu como mescla muito rara e preciosa.Tornou-se a bisavó espanhola e a tataravó inglesa!

Há poucos dias foi homenageado em uma comovente inauguração na Camara Municipal.Deu nome a um salão de eventos no espaço em que mais orgulho sentiu como cidadão.Vereador,presidente da Câmara,político não remunerado como eram todos em seu tempo e batalhador valente pela causa que defendia.

Faço minhas as palavras bem lembradas de minha irmã Marina em seu discurso no dia do descerramento da placa com   o nome dele:

 

“ Nosso pai,filho de pai grego e índia bororó,carregou como dupla herança genética , o amor pela natureza e pela política.Parecia ver,na sua cidade,a pequena aldeia indígena onde todos buscavam o bem comum.Parecia ver,na cidade,a polis grega,nascida das mentes de seus ancestrais e lugar do exercício da democracia.

....

“ Com ele aprendemos,nós,seus filhos e netos,a força da honra e da honestidade.Dele ouvimos,desde muito jovens as palavras de muitos filósofos.Dele ouvimos as palavras de Platão a uma visitante ateniense  dizendo: Uma sociedade em que nem a riqueza nem a pobreza existem,produz homens de excelente caráter,já que nela não há lugar para violência ou maldade,nem para rivalidade ou inveja”

 

 

Usei esses trechos de seu discurso para tornar mais claro meu propósito nesta reverencia a ele.

Entendi que também meu pai envelheceu para consolidar um caráter,assim como propõe o psicanalista James Hillman em seu livro” A força do caráter e a poética de uma vida longa”.

Nosso pai se foi aos 91 anos e hoje não é mais um forte personalidade ou um temperamento explosivo e autoritário.É um valor inestimável,um caráter que transmitiu seus valores e um antepassado que jamais será esquecido enquanto um descendente seu viver.

Os valores aprendidos em casa dão sentido até mesmo à obediência tão rejeitada.Era o preço que pagamos para ter algo que hoje faz falta em muitos lares:a hierarquia.

Sobre isso falamos outro dia.

 

Um brinde ao meu pai Miguel Antonio Zarvos.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Antepassado


 

         Antepassado ( Alfredo Bologna)

 

 

 

     Só te reconheço de retrato,

     Não te conheço de verdade,

     Mas teu sangue bole em meu sangue

     E sem saber te vivo em mim

     E sem saber vou copiando

     Tuas imprevistas maneiras

 

 

     Vou descobrindo o que me deste

     Sem saber que me davas,na líquida

     Transmissão de taras e dons,

 

     Acabei descobrindo tudo

     Que teus papeis não confessaram

     Nem a memória da família

     Trasmitiu como fato histórico

     E agora te conheço mais

     Do que a mim próprio me conheço

     Pois sou teu vaso e transcendência

 

     Refaço os gestos que o retrato

     Não pode ter,aqueles gestos

     Que ficaram em ti à espera

     De tardia repetição,

     E tão meus eles se tornaram

 

     Que suponho tu os copiaste

     De mim antes que eu os fizesse.

 

 

                  Bologna,José Ernesto-Estação Desembarque-ed.Aquariana.

 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Ainda minha mãe...o que aprendi

Como é mais recente a perda de minha mãe,refiro-me a ela.
Já precisei de outro tanto processando a perda de meu pai e agora ele participa feliz e intensamente da minha vida,interiorizados que estão seu amor e sua força.Saudade sim...muita....mas parece que tudo está em seus devidos lugares no que se refere a ele.Ele era personalíssimo..."dinatós"!(Forte)
Quanto à minha mãe,algo mais estranho aconteceu nesse período em que cada lugar que ela visitou,cada cantinho que ela apreciava,cada objeto que lhe pertenceu parece contar novamente histórias  vividas e momentos compartilhados.
Mais que isso,tudo o que ouvi quando conversavamos e tudo o que ela exemplificou,curiosamente agora adquirem nova perspectiva .
Em especial a forma como ela lidava com a autoridade e a força.Nunca bateu de frente.Sempre esperou momentos oportunos e o tempo propriamente dito para organizar o que não estava de acordo.
Teve paciencia,humildade e muita suavidade.Era forte,muito forte,mas usou sua força para controlar seus próprios impulsos menos oportunos e  ímpetos .
Eu,jovem e impetuosa,afoita e até precipitada,impulsiva e passional,quantas e quantas vezes me flagrei pensando..."não quero ser como você"!
Cresci me confrontando,batendo de frente com o mundo e discutindo minhas posições e idéias com veemencia.
Bem verdade, que aqui ou ali,em nossas conversas ela bem que admirava isto ou aquilo do que eu fazia,como se fossem parte do repertório que ela não realizara.Com certeza tinha suas frustrações como todos temos.
Eramos diferentes as duas,muito diferentes.
Eu penso em minha avó e me lembro que com ela eu tinha mais afinidades.
Pois é....mas ao longo da doença,do longo sofrimento suportado por ela e compartilhado por nós,fui percebendo e sentindo que a aroeira de que ela era feita,exigira também aquele estoicismo até o fim.Entendi que se propôs em algum momento de sua existencia a demonstrar que a aparente fragilidade significa a força maior que um ser humano pode ter.Que a doçura,a suavidade,o calar-se diante das forças externas pode ser a forma mais sábia de conviver  e transformar.
Quando perdi meu pai,experimentei a perda da referencia de força externa;com minha mãe,muito dolorosa a perda da referencia de amor incondicional.
Bom para todos nós,filhos,que o longo tempo de senilidade e cuidados que ela precisou,serviram para que nos desse as ultimas lições.
Para mim,foi a da paciencia,da doçura,da não argumentação.
No silencio,nos gestos de amor e na humildade para aceitar aquilo que não tem como ser modificado está a melhor lição que ela me deixou.
Um brinde ao amor de mãe!De minha mãe...puro "agápi"(amor)

domingo, 15 de dezembro de 2013

Que mundo é esse?

Estive compartilhando meus pensamentos e sensações há algum tempo,já.
Depois desse 14 de outubro,tantos fatos,tantos sentimentos,uma enorme perda...
Minha mãe se foi há 40 dias...aquela doce velhinha,aos 89 foi ao encontro do homem com quem passou 66 anos de sua vida,do pai e da mãe que nunca esqueceu e de quem cuidou até o final.
"Eu sinto tanta saudade dele"...foi sua ultima frase lúcida,em meio à senilidade,poucos dias antes de falecer.
Hoje estivemos rezando por ela numa cerimonia ortodoxa,religião de nosso batismo e esteio da identidade grega.Ritual antigo e ambiente sagrado numa realidade que remete ao tempo do Império Bizantino,a nossas raízes e antepassados.
Os incensos e os canticos além dos gestos e postura das pessoas,até mesmo o tempo que se permanece dentro da igreja....uma realidade que tem densidade própria,força e energia quase sólidas de tão consistentes.É uma ritual de permanencia.
Pois bem...por uma questão de ordem absolutamente prática,PRECISEI entrar no shopping algum tempo depois dessa cerimonia,nesse mesmo domingo.
Imantada e ainda vivendo as sensações da manhã,mergulho num mundo fluido e volatil,liquido e sem consistencia,rápido e em cuja natureza está o transitório....mundo de consumo,de acesso ao que acaba rápido,do que é altamente perecível em todos os sentidos e levei um choque.
"Que mundo é esse?"
Minha indagação não se colocou pelo perecível,mas pela coexistencia em nós de duas ordens de valores.Podemos pela manhã...ao menos pude eu,pela necessidade é verdade,mas pude,transitar em dois mundo totalmente distintos e equacionar essa incompatibilidade.
Agora,analisando isso,penso que o mundo perde cada vez mais os valores da permanencia e estimula os da transitoriedade,do perecível...
De minha parte,penso que consigo transitar com segurança no ambiente da fluidez e da transitoriedade porque tenho referencias sólidas.Mas,quantos dos jovens e crianças que circulam por esse ambiente tem tido a oportunidade de conhecer tradições?
Precisamos pensar nisso e oferecer aos nossos pequenos alguma coisa que seja daquilo que podemos chamar de tradicional.
E não vale aqui,Papai Noel e nem Reveillon....estes eventos já se corromperam também....talvez melhor do que isso....mostrar ao pequeno de 5 anos uma foto da bisavó,dizer que ela falava lingua grega e ensinar a contar até dez em grego.
Tenho visto jovens e adultos que não sabem de que povo descendem....Muitos por sinal!
Isso é triste e também sinal de envelhecimento.Estou ficando velha,com certeza.
Mas....com muita alegria,faço um brinde ao antepassado,ao que já ficou eterno e ao que nunca deixará de ser enquanto alguém cultuar.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Elegancia e bondade

Penso com muita frequencia em comportamentos desejados e nem sempre possiveis para todos. Elegancia e bondade são duas qualidades que me intrigam,pois são desejadas por qualquer pessoa educada e há muito esforço empenhado para se alcançar essas condições:Elegante!Bondosa(o)! Eu mesma quando jovem,passei por algumas experiencias com o objetivo de aprender a sentar direitinho,a caminhar com elegancia,a usar talheres adequadamente,a retribuir presentes à altura,a conviver de forma socialmente apreciável. Existe,de fato uma maneira mais elegante de se dançar,de se caminhar e de se vestir...mas a verdadeira elegancia,a vida foi mostrando aos poucos em situações que jamais esqueci. Numa delas,ainda muito jovem,nem havia feito os tais cursinhos que ensinam a usar os talheres adequadamente,fui convidada para um almoço em casa de gente muito rica,refinada e culta. A mesa foi posta para jovens como eu,íamos comer num lindo terraço de apartamento na década de 60...é...muito,muito tempo atrás...e ficou na memória até hoje como um presente de uma dama. Muito metida,antes de ver como é que as outras fariam para usar os talheres dispostos em cada lado do prato fui a primeira a escolher um deles para utilizar na salada.Hoje acho que o desconcerto de demonstrar ignorancia era tão grande,que fui logo pegando o talher que me pareceu o certo,para mostrar que estava segura naquela mesa!! Peguei o garfinho que estava disposto acima do prato,juntamento com a colher esperando a SOBREMESA! Muito bem...ninguém mais pegou aquele,óbviamente...com exceção da dona da casa,que com a maior naturalidade,pegou também o garfo errado e me fez sentir que SÓMENTE EU havia acertado! Naquele dia recebi a primeira lição de verdadeira elegancia!Nunca esqueci a atitude,consigo ter em mente todas as situações similares e muito menos esqueci a dama que com tanta bondade e simplicidade acolheu meu equivoco. Isso é ser bom,distinto e elegante. Protocolos são cumpridos muitas vezes,sem o espírito do acolhimento e da ternura necessárias ao gesto elegante. Para finalizar,outro exemplo de extrema elegancia e carinho:num almoço,recente,em casa de um jovem casal,depois de uma certa hora de termos almoçado,manifestei a intenção de irmos embora,afinal,os anfitriões também precisam descansar depois de um grande almoço. Pois bem...como dissera..."Sim,está na hora...vamos para casa,não posso ficar muito tempo sem escovar os dentes depois do almoço" Qual não foi minha surpresa ao ver a anfitriã discreta e carinhosamente me presentear com escova e tudo mais para minha higiene. Com elegancia e carinho,afirmou seu desejo de nos ter mais tempo ali e superou a extrema qualidade de tudo o que nos ofereceu,o bom gosto da decoração e o requinte de seu lar. Isso é a verdadeira elegancia,aquela que não está escrita no protocolo;assim como bondade,caridade...o gesto precisa estar acompanhado de um coração que vibra puro amor.Não serve fazero gesto só para fazer bonito.Melhor esperar a exigencia do coração. Assim,hoje vai um brinde aos jovens anfitriões do sábado e a suas crianças!